sexta-feira, 9 de abril de 2010

35º Episódio - Guerra (Parte II)

O silêncio cercou Zack no meio daquelas árvores avermelhadas. O único som que se ouvia era a sua respiração.
- Tens medo… - Uma voz soltou-se, atacando os ouvidos de Zack.
- Aparece! Cobarde!
Nesse mesmo instante, Shuang aparece do nada.


- Então? Porque não me atacas? – Perguntou. – Tens medo…
- Eu não tenho medo!
- Admite, Zack… Estás em desvantagem! És tão fraco… tão vulnerável… Não percebes que a resposta está mesmo à tua frente?
- Então eu vou desvendá-la!!
Com isto, Zack atacou Shuang lutando com todas as suas forças…




A luta alastrou-se por toda a floresta... Inúmeros pássaros saíram dos seus ninhos e cercaram Zack e Shuang, convergindo numa espécie de ritual, iluminando toda a floresta oriental…
Shuang começou a ser cercado pelos pássaros que aumentavam gradualmente o seu número.
- Não! Não! NÃÃÃÃO! Larguem-me!
Os gritos de Shuang ecoavam pela floresta Oriental.
Zack permaneceu quieto, de olhos arregalados… Como seria aquilo possível?




Shuang foi sendo absorvido por raios de luz dizendo:
- Isto não fica assim! Eu irei voltar! E tu… morrerás!
Até que, uma luz incandescente invadiu o corpo de Shuang fazendo com que este desaparecesse no meio da imensidão do céu…
Zack estava ofegante, quase sem forças para se manter em pé. Reparou que o Machado de Pangu se encontrava caído no chão. Agarrou-o. Mas não perecia igual. Tinha uma espécie de símbolos a contornar a lâmina…
Zack estava hipnotizado a observar a lâmina do machado, até que um pássaro pousa no seu ombro. Permaneceu estático, até que voou até à pega do machado e com o seu bico, iluminou os símbolos. Foi então que Zack se lembrou de uma coisa.



Nem podia acreditar no que estava a ver…
Nesse mesmo instante, Lyrah e Adeline aparecem junto de Zack, preocupadíssimas.
- Zack, ainda bem que estás aqui… - Mas as suas palavras foram interrompidas, com o brilhar do machado.
Lyrah e Adeline ficaram perplexas a olhar para os símbolos. Até que os mesmos, projectaram uma coisa… Uma espécie de mapa.



Lyrah, andou lentamente em direcção a Zack, fixando o mapa. Levantou a mão e agarrou nele. Observou-o durante uns momentos até que anuiu:
- É isto… Zack… Adeline. Encontrámos o caminho para o Index!
Zack e Adeline ficaram radiantes com aquela notícia.
- Onde é que está? – Perguntou Adeline.
- Bom, até agora, lendas e estudos confirmaram que o Index se encontrava no Templo do Céu. Enganaram-se. De facto, Liuhan selou o índex no Templo do Céu, mas os Deuses começaram a sentir uma enorme insegurança e transferiram-no para outro local. O local… é o Centro de Shang Simla.



- Impossível. – Disse Zack. – É tão óbvio!
- Por isso mesmo. É tão óbvio que dispersa as nossas atenções para locais mais escondidos. É esse o segredo!
- Mas os Deuses não chegaram a saber onde estava o Index! – Exclamou Adeline.
- Adeline, eles tinham a Chave Mestra. O Machado de Pangu. E Liuhan morreu mesmo em frente ao seu cofre…
- Lyrah… Se nós encontrarmos o Index. O que acontece? – Perguntou Zack.
- Liuhan renasce daquelas águas. A sua alma vai finalmente convergir no seu corpo.



No próximo episódio:
O Index está cada vez mais perto… Acompanhem cada minuto desta maravilhosa aventura de Zack nos últimos episódios…


quarta-feira, 7 de abril de 2010

34º Episódio - Guerra (Parte I)

A noite caiu em Shang Simla, instalando de novo uma imensa escuridão. Estava um clima fantasmagórico cheio de nevoeiro e o frio acompanhava-o, penetrando nas ruas vazias.

Zack permaneceu no seu quarto em silêncio, atento a qualquer som que se propagasse no corredor em frente a si. Com o seu olhar, seguiu o percurso do fumo arroxeado do Incenso que se propagava pelo quarto todo, expelindo um odor suave e relaxante.
Fechou os olhos por breves instantes. Mas rapidamente acordou com um pequeno som vindo do corredor. O incenso apagou-se. O fumo que ainda restava flutuava até à porta, sendo sugado pela mesma. Algo estava por detrás dela.
Zack caminhou até à porta e encostou a cabeça nela, no intuito de ouvir algo. Abriu-a lentamente, tentando fazer o máximo silêncio possível. Quando olhou para o final do corredor não estava ninguém. Saiu do quarto olhando em diferentes direcções, e ao virar da esquina…

Não estava ninguém. Zack estranhou aquela demora de Shuang, tinha quase a certeza que ele estava naquele corredor.
Desceu as escadas e dirigiu-se para o salão de treinos. Andou pela sala fora e remexeu em alguns objectos de treino. Andou em volta deles, até que, ouve passos vindos do piso superior.
- Impossível… - Sussurrou Zack.
Subiu de novo as escadas e percorreu o infinito corredor. Virou a esquina e lá estava ele. Shuang preparava-se para pegar no machado de Pangu, exposto na parede.

- Eu não tocava, nem com um dedo nesse machado.
Shuang virou-se rapidamente com os olhos raiados em sangue. Zack assustou-se um pouco, Shuang não parecia o mesmo.
- O que estás aqui a fazer? – Perguntou Shuang.
- Oh nada. Apenas a impedir que alguém roube o machado.
- Como…
- Eu ouvi tudo Shuang! És um impostor. Eu nunca fui com a tua cara… e agora muito menos.
- Eu tencionava matar-te em breve. Mas parece que vou ter de o fazer agora!
Shuang fez um movimento brusco em direcção a Zack, mas este desviou-se.
- Então? Afinal quem não se consegue mexer? Tu ou o Liuhan?
Shuang soltou um grito aterrorizador e deu um salto enorme sobre Zack. Pegou no machado e desapareceu no meio de raios de luz.
- NÃO!!
Nesse momento, Lyrah e Adeline acordam.
- Zack, o que se passa? – Perguntou Adeline.
- Ele levou-o! Ele levou o Machado! Detenham-no!
- Quem? Quem é que levou o machado? – Interrogou Lyrah.
- O Shuang!

Zack correu para o quintal e penetrou nos arbustos em direcção às ruínas. Correu o mais rápido que conseguia…

Até que viu uma luz resplandecente vinda das Ruínas. Shuang tinha chegado lá.
Zack correu com todas as suas forças até chegar ao local.

Shuang pressentiu e fez um movimento circular com o machado, atordoando Zack. Caiu no chão, mas rapidamente se recompôs.
- Tu não vais levar a melhor! – Exclamou Zack.
Com isto, Zack movimentou-se circularmente até chegar a Shuang. Tocou-lhe com força no peito, empurrando-o para o meio das árvores.

Correu até lá. Nesse mesmo local, Zack perdeu a noção de onde estava, aquele conjunto de árvores mais parecia um labirinto sem retorno. Até que ouviu estalar alguns galhos.
Zack olhou em diferentes direcções, até que Shuang apareceu diante de si com o Machado no ar, pronto para lhe acertar.
Desviou-se subitamente e correu para trás de uma árvore.
- Eu sei que estás aí… - A voz de Shuang era aterradora.
Zack permaneceu imóvel por detrás daquela árvore. O silêncio instalou-se por entre aquelas folhagens esverdeadas.

Zack achou que Shuang se tinha ido embora e saiu daquele lugar. Correu por entre a densa e escura floresta oriental.

Até que Shuang aparece do nada e com um movimento circular, escureceu toda aquela área.
Zack permaneceu no meio daquele nevoeiro de escuridão sei saber para onde ir. Olhou em várias direcções. Shuang estava algures por ali, mas no meio daquela imensa escuridão era-lhe impossível de o localizar.
- Aparece! – Exclamou.
Mas o som da sua voz era absorvido pelo vazio.
Zack perdeu-se na imensidão do silêncio e da escuridão, mas sabia uma coisa… Não estava sozinho.

(Continua…)

segunda-feira, 5 de abril de 2010

33º Episódio - Impostor

Zack, Adeline e Lyrah retornaram ao palácio, fatigados e desgastados.
- Vocês são muito pouco resistentes. Têm de treinar mais a vossa capacidade física! Podem achar que não a têm, mas ela apenas está escondida na vossa alma! Apenas a devem reencontrar.
Lyrah pegou numa cesta e dirigiu-se à Praça Central de Shang Simla, parecia querer fazer algumas compras.
- Raios! Estou farta desta mulher, Zack! Aqueles conselhos da treta só me conseguem por mais enervada do que estou. – Adeline estava cansadíssima e furiosa.
- Tem calma, Adeline! Isso não te vai adiantar de nada!



- Vai sim! Eu vou-me embora. Estou farta!
- O quê? Não te podes ir embora! Eu preciso de ti… toda esta cidade precisa.
- Mas eu não aguento mais! Caminhadas a pé, sopa dos pobres… São estas as condições que o Liuhan nos forneceu? – Perguntou Adeline.
- Isto é o pouco que este povo tem, Adeline! Não percebes? O povo de Shang Simla é pobre, mas mesmo assim servem as pessoas de boa vontade! Servem o pouco que têm. Talvez sem nós… poderão ficar muito pior.
- Bem não tinha visto as coisas assim.
- Por isso… não te vás embora!
Com isto, Zack deu um beijo a Adeline e retirou-se para o seu quarto. Lá, telefonou a Karma.




Karma ouve o seu telefone tocar e atente…
- Estou?
- Karma? Sou eu, o Zack…
- Zack? Oh, mano tenho tantas saudades tuas!
- Eu também, maninha. Só queria saber como vão as coisas por aí… Está tudo bem?
- Sim, Zack… está tudo bem! O John cresce cada vez mais rápido!
- E quanto a ti? Estás bem?
- Vou recuperando lentamente… Zack, isto não está fácil. Toda a minha vida fui apanhando desgostos e tenho sofrido muito. Não sei quando é que posso ser realmente feliz.
Uma lágrima caiu do olho de Zack…
- Sê forte mana! Sempre tive orgulho em ti… Ultrapassa os teus problemas! E não deixes que eles se apoderem de ti! Luta pela vida com que sempre sonhaste… não a percas! Fá-lo por mim!
- Adoro-te, Zack… - Karma já chorava.




- Adoro-te maninha!
A chamada terminou. Nesse momento, Roberto chegou da Néctaria.
- Quem era? – Perguntou.
- O Zack…
- A sério? E o que é que ele disse?
- Nada, ‘mor. Apenas… se despediu de mim.
- Despediu? Ele não volta?
- Não fiques à espera disso, Roberto. O Zack agora tem a sua vida. E é melhor seguir em frente. Já não me adianta chorar… sofrer… Acabou. Vou seguir em frente.



Zack limpou as suas lágrimas e saiu um pouco para apanhar ar. Ainda não conhecia bem os arredores daquela Aldeia Oriental. Quando ia a sair de casa, Zack reparou num movimento bruto nos arbustos. Não estava muito vento, por isso estranhou um pouco.
Caminhou em direcção aos arbustos e reparou num carreiro de terra muito estreito. Seguiu-o.



O caminho parecia infinito, até que ouviu passos sobre aquela terra húmida.
Zack olhou em seu redor, um pouco assustado, mas o som parecia afastar-se progressivamente.
Suspirou um pouco e preparou-se para voltar para casa, mas algo o atraía para o fim daquele caminho. Algo inexplicável. Seguiu o caminho até que desviou alguns arbustos que estavam a impedir a sua visão e… Viu algo. Algo que parecia que já tinha visto.



Avançou um pouco e conseguiu ver que estava diante de uma casa em Ruínas. Era bastante antiga… Havia terra a tapar parte de um carreiro em pedra fumada. Peixes jaziam nos lagos, quase incolores, outrora coloridos e alegres.



Até que Zack ouve vozes. Escondeu-se atrás de uma árvore e tentou espreitar por detrás dela. Nem queria acreditar no que os seus olhos estavam a ver… era Shuang.



Mas estava acompanhado de outro homem muito mal-encarado com uns trapos velhos e sujos.
- Apenas temos de seguir o plano, Sheng Sai! Vamos impedir aqueles dois de encontrar o Index! Vamos fazer os impossíveis para o impedir! Eles não podem saber onde é que está. Não consigo estar mais a ajudar aquele velho que já nem se consegue mexer.
- Mas ele afinal está vivo ou não?
- Claro que não idiota! É a sua alma! Não te lembras nas Cataratas da Vida? Agora o que temos a fazer é tirar aquele machado das mãos daquele Zack e impedi-lo de chegar ao Index!
- E quando o vais fazer?
- Hoje à noite… enquanto todos estiverem a dormir!
Zack estremeceu com aquelas palavras. Nem podia crer que Shuang era um impostor.
As palavras sumiram da sua boca, sem poder explicar como se sentia… Mas agora o que há a fazer, é impedir que Shuang roube o Machado de Pangu…
Zack fugiu daquele lugar fazendo estalar alguns galhos.



- O que foi aquilo? – Perguntou Sheng Sai.
- Devem ser os esquilos… Odeio roedores…

No Próximo Episódio:
A noite vai ser muito longa para Zack… Como irá ele conseguir impedir que Sheng lhe roube o Machado de Pangu?
Fiquem para ver no próximo episódio.


sábado, 3 de abril de 2010

32º Episódio - As Cataratas da Vida

O dia começou com uma grande dor de costas. Zack tinha acordado em cima daquele frio e áspero chão de madeira. Levantou-se lentamente, queixando-se das suas costas em voz baixa.



Desceu as escadas, fazendo pequenas pausas para massajar um pouco as costas. Chegou ao quintal e viu Lyrah.
- Bom dia! – Saudou-a.
- Bom dia, Zack! O pequeno-almoço está servido!
Nesse momento, Adeline acorda.
- Que bom! Pequeno-almoço! Estou esfomeada! – Exclamou Adeline satisfeita.
Mas quando se sentou, apenas viu uma taça de arroz branco e dois pauzinhos.
- Acho que isto é um pequeno-almoço… e não a sopa dos pobres!
- Oh, peço desculpa se a menina Francesa estava à espera de um Ratatouille! Mas aqui vai ter de se acostumar aos nossos pratos. Pelo menos enquanto estiver aqui! – Lyrah já estava um pouco sem paciência.
Adeline calou-se e começou a comer.



- Comam bem, hoje vamos fazer um longo percurso!
Aquelas palavras eram extremamente desagradáveis para Zack, mas tinha de aceitar a realidade e obedecer.
Quando acabaram de comer, prepararam uma pequena mala para durante a viagem e seguiram caminho. Durante o mesmo, Zack e Adeline foram contemplando e paisagem oriental.



- Essas árvores são sagradas! O povo diz que dão sorte e invocam as forças dos espíritos! Lendas…
- Não acredita nisso Lyrah? – Perguntou Zack.
- Sim e não. Às vezes é-me bastante difícil crer.
- Pensei que como é Chinesa que iria acreditar…



- Como eu disse: Sim e não! – Repetiu Lyrah. – Bom, chegámos ao nosso primeiro local… As Cataratas da Vida.
Zack e Adeline ficaram boquiabertos quando viram aquelas cataratas. A água escorria pelas rochas e brilhava com o sol, uma visão realmente digna de se ver.




- Tão lindo! – Exclamou Adeline.
Adeline preparava-se para tocar na água, mas Lyrah fez um movimento brusco e impediu-a de o fazer.
- Não toques na água! Vocês, estrangeiros, não sabem onde não devem tocar!
- Desculpe… mas é só água!
- Só água. Não fale do que não sabe…
- Mas afinal o que tem esta água de especial, Lyrah? – Perguntou Zack.
Lyrah suspirou e começou a explicar:
- Há muito, muito tempo, um homem muito velho veio a este mesmo local. Pisou a mesma relva que vocês… tocou na mesma água que a francesa ia tocando.
- A Francesa tem nome…
- O seu nome… Liuhan Liuh! Ele veio a este local com a mesma curiosidade que vocês. Tocou na água, e desde aí a sua vida mudou! Foi enfraquecendo ao longo dos seus anos de vida. E ao longo desses mesmos anos, foi escrevendo um diário, que contava o seu envelhecimento e vulnerabilidade. Tudo à volta de Liuhan deixou de existir, mas mesmo assim, tinha um povo para dirigir. Foi escrevendo, escrevendo e escrevendo as suas descobertas e chaves no seu diário, até que descobriu o quão valioso era, e decidiu atribuir-lhe um nome. Aposto que já sabem…
- Index… - Completou Zack.
- Index… - Afirmou Lyrah. – Até que numa noite, Liuhan foi perdendo a noção do espaço… foi perdendo os seus sentidos. O seu corpo estava dormente e enfraquecido. Até que os deuses o chamaram ao Templo do Céu. Liuhan não hesitou, pois, tinha de manter o Index em segurança. Abriu sacrificadamente as portas daquele templo e selou o Index num cofre, até agora desconhecido. Até que… a sua alma se esquivou pelos seus poros. Uma coisa dolorosa de se ver. A sua alma fugiu do seu corpo vulnerável e esguio. Liuhan caiu no chão, não dizendo a nenhum Deus o paradeiro do Index. Apenas se sabe que está no Templo do Céu, mas mesmo assim, poucas pessoas o sabem. Tudo isto aconteceu, graças a estas águas. Nestas águas, jazem almas de todos os que tiveram curiosidade.
- Então porque se chamam cataratas da Vida? – Perguntou Adeline.
- Porque contêm vida no movimento das correntes, caso contrário nem movimento haveria.
Zack ficou pasmado pela maneira com que Lyrah contou aquela história. Agora, tudo fazia sentido: O Index, o livro… a lenda… a alma de Liuhan. Há que lutar, pelo que não foi encontrado no passado, mas como? Como poderão Zack e Adeline entrar no Templo do Céu e encontrar o Index? Talvez a resposta esteja mais perto do que imaginamos.





No Próximo Episódio:
Zack tem saudades de Karma e decide ligar-lhe.
Zack encontra alguma coisa que contém um das pistas para o paradeiro do Index. Mas até lá, a resposta está Indexada até ao próximo episódio! Fiquem para ver!







sexta-feira, 2 de abril de 2010

31º Episódio - Bem-Vindos Estrangeiros!



- Quanto temos de andar mais? – Adeline estava de rastos a andar pelas estradas de terra batida.
- Mais trezentos e vinte quilómetros! – Respondeu Zack.
- O quê??
- Estou a brincar… é já aqui. – Disse Zack sorrindo.



Os dois olharam para o topo de uma pequena colina, e lá estava. Uma casa que mais parecia um palacete oriental.



Subiram a colina a todo o custo e depararam-se com um rasto de pétalas de cravos. Avançaram um pouco e conseguiram sentir aquele suave cheiro dos Incensos.
Zack e Adeline olharam para a frente e ficaram perplexos. Aquele palacete era realmente extraordinário. Todas aquelas pequenas decorações Orientais como Dragões, candeeiros de entrada lindíssimos, estátuas enormes a rodear o carreiro da entrada e árvores de diversos tamanhos a sombrear aquela zona.





- Meu deus… - Sussurrou Adeline de olhos arregalados.
- Anda… vamos ver se está alguém em casa.
Zack avançou alguns passos e subiu umas escadas de madeira envelhecida. Chiaram ligeiramente com o pé de Zack. Bateu à porta. O som da mesma ecoou pelo pátio todo.
Até que… alguém abre.
- Bom dia… é aqui a Rua Shang… Este nome? – Zack estava confuso.
A pessoa que abrira a porta não parecera estar a perceber nada do que Zack dizia.
De repente, Zack ouve um som de uma voz feminina:
- Avô! Quantas vezes lhe disse para não se levantar da cama? Oh… olá. Devem ser o Zack e a Adeline correcto?
Aquele sotaque achinesado era um pouco cómico e Adeline começou a conter o riso.



- Sim… - Afirmou Zack.
- Muito bem… Entrem por favor! – Pediu a mulher.
Zack e Adeline entraram lentamente olhando em seu redor. Ao entrarem, nem queriam imaginar. Diante dos seus olhos estava uma imensa sala de treino de artes marciais com estatuetas chinesas e objectos de treino. O cheiro a Jasmim, vindo dos imensos paus de incensos, invadiu as narinas de Zack fazendo com que ficasse extremamente relaxado e lunático.



- Perdoem-me esta pequena recepção mal combinada, mas o meu avô é um pouco doente! – Exclamou a mulher descendo as escadas, convidando Zack e Adeline a descerem também. – O meu nome é Lyrah Fa e vou ser eu que vos vai comandar nesta pequena missão.





- Muito prazer, Lyrah! Diga-me uma coisa… esta casa é sua? – Perguntou Zack.
Lyrah soltou um pequeno riso.
- Não! É dos meus tios… Mas como eles estão fora, fico eu a tomar conta da casa…
- Ah.
- Bom, vou conduzir-vos aos vossos quartos.
Lyrah tinha umas feições completamente invulgares, o que a tornava muito bonita. Um cabelo completamente liso e longo, pele aclarada e uns olhos lindíssimos com um forte verde a rodear a íris.



Quando Lyrah chegou aos quartos Adeline ficou um pouco intrigada.
- Huh… Onde estão as camas? – Perguntou.
- É onde tu quiseres! Eu sei que no estrangeiro vocês estão habituados a usar as… c… camas! Aqui não. Aqui dormimos no chão, e podem crer que é muito mais benéfico para as nossas vértebras!
- Primeiro: Cem quilómetros a pé… depois, camas imaginárias… - Sussurrou Adeline.
- Bem, hoje estão por vossa conta. Podem passear, visitar os nossos melhores restaurantes e claro, descansar. Amanhã quero levar-vos a conhecer lugares inacessíveis ao povo. Portanto, descansem. – Tudo o que Lyrah dizia era acompanhado de um sorriso de orelha a orelha. – Ah, já me esquecia. Aconselho-vos a trocar de roupa, aqui somos contra o algodão!

- Essa é nova… - Murmurou Adeline.
Zack deu-lhe um pequeno toque.
- Muito obrigado Lyrah! – Agradeceu Zack. – Assim o faremos!
Lyrah fechou a porta do quarto.
- Boa… Hotel cinco estrelas… Maldita a hora em que peguei naquele livro. – Exclamou Adeline.
- Ah é? Então… Maldita a hora em que nos juntámos? – Perguntou Zack aproximando-se sedutoramente de Adeline.
- Deixa-te de coisas. Sabes muito bem do que eu estou a falar!
- Eu sei… Mas talvez devêssemos ver isto do lado positivo. Hoje temo o dia inteiro só para nós!
Com isto, Zack beijou ternamente Adeline.



- Zack, para com isso… Vamos mudar de roupa! – Adeline estava um pouco cansada.
- Ok…
Abriram o guarda-roupa.
- Mas que raio de trapos são estes? – Perguntou Adeline.
- Não sei… mas podemos aproveitar algumas peças.
- Isto vai ser difícil… Muito difícil! – Exclamou Adeline.
Quando Zack se acabou de vestir, dirigiu-se ao salão de treinos onde ficou a observar algumas pinturas tradicionais. Não tocava em quase nada, aquela casa mais parecia um museu. Até que ouviu alguém a descer. Era Adeline, desta vez, completamente diferente.




- Que tal estou?
- Excelente!



No próximo Episódio:
Como correrá o primeiro dia de estadia na China? Irão Zack e Adeline adaptar-se aos costumes? Vamos ver no próximo episódio.